Debate sobre Racismo e Direitos Humanos encerram ciclo de 2017 do Grão Jurídico com chave de ouro

Compartilhe

Em sua sétima edição, projeto se consolida como ação afirmativa da OAB-CG na integração com a comunidade

A última edição do ano do projeto Grão Jurídico fechou o ciclo de 2017 com chave de ouro. Com o tema Racismo(s) e Direitos Humanos, o debate realizado na tarde desta sexta-feira, 01, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção de Campina Grande (OAB-CG), reforçou a preocupação da Ordem em abrir cada vez mais as portas para a comunidade, para além dos profissionais e estudantes de Direito.

Com explanações muito lúcidas, o advogado e professor Camilo Diniz, mestre em Direitos Humanos, iniciou as apresentações, explicando porque a escolha o título no plural, apresentando os seguintes tipos de manifestação de racismo: jurídico-criminal, epistêmica, institucional, religiosa e científica. “Com racismo não há Direitos Humanos. Nós temos que quebrar o mito da democracia racial no Brasil e temos que discutir sobre os espaços de inclusão sempre”, disse também.

Em seguida a assistente social e militante do Movimento Negro e de movimentos em defesa das mulheres, Jô Oliveira, que é ainda assessora parlamentar e mestre em Serviço Social, levantou profundos questionamentos que deixam claro o quanto a sociedade ainda precisa caminhar no combate ao racismo e na garantia de espaços igualitários para todas as pessoas. “É preciso pensar onde é que nós estamos enquanto população negra. Quantos intelectuais negros nós conhecemos?

Quantos professores negros eu tive na minha graduação? A gente desconhece os negros e negras que estão produzindo conhecimento e isso é muito grave”, afirmou.

Os dois palestrantes ainda apresentaram dados que infelizmente ressaltam que a população negra ainda ocupa um espaço inferior na pirâmide social e fizeram o resgate da história dos negros no Brasil, desde a escravidão.

Após as palestras houve debate com a participação do público presente. Para a trabalhadora doméstica Chirlene dos Santos Brito, 34 anos, que trabalha desde os 12 e hoje é presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Campina Grande (Sintrad-CG), foi muito significativa a oportunidade que a OAB-CG proporcionou para ela e suas companheiras de atividade. “Como representante de entidade pra mim esse momento aqui na OAB é muito significativo porque estamos fortalecendo nosso sindicato, mostrando que podemos ocupar todos os espaços, levando o nome da nossa categoria pra mostrar que nós existimos sim. Essa oportunidade dá visibilidade ao nosso trabalho e fortalece nossa categoria. Além disso, em encontros como este a gente se capacita, a gente aprende mais”, destacou.

O Grão Jurídico retorna em 2018, sempre com temas relevantes para toda a sociedade. Lembrando que a iniciativa é da Comissão de Ensino Jurídico da OAB-CG e do Núcleo de Campina Grande da Escola Superior de Advocacia na Paraíba (ESA-PB). O coordenador do projeto, Alberto Jorge, reforçou que o Grão Jurídico de fato se consolidou ao longo destes sete encontros. “A intenção da OAB de Campina Grande é que esta realidade se perpetue, não mais como um projeto, mas como uma ação efetiva e permanente da Ordem”, afirmou.

O presidente da OAB-CG, Jairo de Oliveira, também enalteceu o sucesso do Grão. “Foi realmente um grande sucesso em 2017 e confirmamos o retorno a partir de fevereiro do ano que vem, com novas temáticas e novos encontros, com certeza de que repetiremos o belo desempenho deste ano”, frisou.

O Grão Jurídico é realizado mensalmente e conta com o apoio do café São Braz e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/PB). Os participantes recebem certificação de três horas em cada edição.

Compartilhe